A economia brasileira está tentando desvencilhar-se da crise política. Já há sinais claros de que a maior recessão econômica da história pode estar ficando para trás. Não se trata de análise subjetiva, mas de dados concretos. Os números e indicadores é que estão mostrando isso.

Depois de um crescimento de 1% no primeiro trimestre deste ano, em comparação aos três meses anteriores, a economia brasileira teve uma elevação adicional de 0,2% no segundo trimestre. O consumo avançou 1,4%, primeiro resultado positivo desde 2014. As exportações subiram 0,5%, com um recuo de 3,5% nas importações. O índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) cresceu 0,41%. Houve a criação de 36 mil novas vagas de emprego. A taxa de desemprego foi reduzida de 13,7% nos primeiros três meses de 2018 para 12,8% de maio a julho. A produção industrial aumentou 0,8% referente ao mês anterior, numa sequência de quatro meses consecutivos de alta. Em igual período do ano passado, esse indicador era negativo em 9,8%. Projeções do Relatório Focus desta segunda-feira pontam que a inflação deste ano deve ficar em 3,08%, abaixo, portanto, da meta central para o ano, que é de 4,5%. Para 2018, a previsão do mercado financeiro para a inflação está em 4,12%, também abaixo da meta.

É preciso reconhecer que algumas medidas do atual governo ajudaram nesse sentido. A adoção de um teto para conter os gastos públicos se encaixa em tal contexto. Muito criticada e aparentemente antipática, a iniciativa criou um marco em favor do equilíbrio financeiro das contas públicas. Aos poucos, mesmo com todos os percalços da política, foi sendo criado um ambiente positivo no campo econômico. Em pouco mais de um ano, a inflação caiu de 9,28% para 2,46% nos doze meses encerrados em agosto. Essa queda foi acompanhada pela redução dos juros pelo Banco Central: a taxa básica (Selic) recuou de 14,25% ao ano, em julho de 2016, para os atuais 8,25% ao ano. Trata-se do menor nível desde 2013. E, segundo previsões do Relatório Focus desta segunda, a Selic pode encerrar o ano em 7%.

Por falar em ambiência, a demonstração de disposição para fazer determinadas reformas também é um fator que influi positivamente nesses resultados. A aprovação de algumas mudanças na legislação trabalhista uniram governo e uma parte majoritária do Congresso numa pauta que, apesar do elevado custo político, precisava ser enfrentada. Isso mostra claramente que, se as demais reformas avançassem, o quadro teria tudo para ser ainda melhor. É o caso da reforma política, da tributária e da previdenciária, dentre outras. O mercado vê positivamente a perspectiva de futuro de um país que se dispõe a atualizar suas estruturas. Entretanto, sou descrente em relação a isso. Com a proximidade das eleições e a sobreposição de escândalos de corrupção, permeando a esfera jurídica e política, dificilmente mais mudanças significativas venham a ocorrer.

Mesmo com um viés de alta ainda tímido, os números e indicadores mostram que a economia brasileira tem tudo para voltar a crescer de maneira consistente. Ou, pelo menos, que o pior da crise já passou. A situação segue apresentando alta volatilidade interna, mas os setores produtivos comprovam vigor para a retomada. Normalmente economia e política não se descolam. Basta olhar os ciclos históricos para perceber que, como regra, uma área é reflexo da outra. São interdependentes. Atualmente, portanto, começamos a ver uma exceção. Bastando que os governos ajudem, ou ao menos que não atrapalhem tanto, esse caminho vai ser trilhado quase que naturalmente. Ninguém tem dúvida do potencial de crescimento do país em muitas áreas. O Brasil tem tudo pela frente.